VOLUME 2: SUL
O título deste livro leva-me mais uma vez a afirmar que Portugal é um país doce. Escrevo num dia sereno de Outono, iluminada por um sol a que nos habituámos a chamar de Inverno. Não aquece, mas glorifica. Isto acontece-me em plena época de doçuras simples e rústicas que só nestes dias, que já deviam ser frios, se impõem: os mendicantes figos secos, nozes, castanhas e a incomparável abóbora coberta.
Na minha mão tenho o mais recente livro de Cristina Castro, o segundo da colecção a que deu o nome de A Doçaria Portuguesa. Título simples, mas ambicioso para a matéria que pretende tratar.
No prefácio do primeiro volume da colecção, o meu querido amigo Virgílio Gomes avisa-nos: “Felizmente não estamos perante um livro de receitas”. O que é então este livro de trezentas e dez páginas que arvora na capa o título A Doçaria Portuguesa? Não serão as receitas o utensílio que distingue umas das outras as milhares de confecções doces que tão bem sabemos fazer? O que temos então nestas três centenas de páginas que dão forma e vida a este livro? Socorro-me novamente da escrita de Virgílio Gomes, quando afirma: “O importante neste livro é a fixação da tradição do seu consumo, mesmo que este seja recente”.
Cristina Castro, além de enfrentar a louvável mas difícil tarefa de inventariar com rigor a doçaria portuguesa, não nos deixa apenas com a nossa esplendorosa doçaria conventual, muito gabada mas nem sempre confeccionada com o esmero com que o fizeram as monjas e suas criadas nos desaparecidos conventos femininos portugueses. Para ela, a doçaria popular tem a mesma importância. Também não recusa o que se vai inventando e que, vingando, se afirma como bom e ao gosto do paladar português. Cristina Castro não nos deixa perdidos na imensidão do que poderá ser uma desejada passeata doce pelo país. Neste e nos restantes livros que compõem a sua obra, o leitor encontrará a estória, não fantasiada, de cada doçura, bem como o sítio onde a poderá encontrar. Indicações nunca vistas num livro que, por isso, não tem preço.
Neste volume que tenho em mãos, Cristina leva-nos a conhecer o Sul doce português, através dos seus diferentes modos de nos adoçar a boca e a vida: doçaria conventual, doçaria caseira e também, em grande esplendor, o farelório, nome que os alentejanos dão aos seus doces de feira.
Obrigada, por tudo, Cristina.
© Maria de Lourdes Modesto



© Gonçalo Barriga

© Ana Gil





256 páginas | capa dura | fita marcadora
ISBN 978-989-99714-1-7
€28.50
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€60.50 → €54.45
Conjunto de 2 Volumes
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VOLUME 1: NORTE
Como é bom folhear páginas doces! É um encanto ler ou consultar este livro e passear alegremente pelo Norte de Portugal.
Conheci a Cristina após a publicação do meu livro Doces da nossa vida, pedindo-me uma entrevista. O nosso encontro foi o princípio para a continuação de muitas outras conversas doces. Fiquei impressionado com o cuidado e o rigor com que a Cristina enfrentou a louvável tarefa de inventariar os doces portugueses, e a sua preocupação e seriedade de investigação levaram-me a que acompanhasse de perto o seu trabalho. Sorte minha!
Estamos perante o primeiro livro desse percurso. Não atribuindo maior importância à doçaria conventual do que à dita popular, ficaremos com o melhor inventário que, seguramente, alguma vez foi efectuado para esta actividade tão poética como são os nossos doces. Não é ainda um inventário exaustivo, mas uma base para um inventário nacional. Há doces conventuais, doces regionais ou populares, e doces de família, todos importantes. Há doces com açúcar e, felizmente, doces com mel.
A autora partiu para o terreno e fixou alguns locais nos quais identificou doces e particularmente algum receituário que é pouco conhecido. Se é importante conhecer a sua história, é também importante saber do seu consumo e da forma como se instalaram algumas tradições. Não dá as receitas, excepto para alguns doces de confecção na sua família, ou de amigos muito próximos. Felizmente, não estamos perante um livro de receitas. O importante neste livro é a fixação da tradição do seu consumo, mesmo que este seja recente, como é o caso do bolo de chocolate com cerveja, dos ouriços de castanha, ou do pink cake. Todos os doces estão associados e bem identificados com uma localidade e, melhor ainda, com as sugestões dos estabelecimentos onde se podem adquirir ou consumir as iguarias.
Nunca se escreveu a história da doçaria em Portugal, possivelmente pela dimensão do seu receituário e, ainda, pela dificuldade em identificar, com segurança, a origem de alguns doces. Vivemos de tal forma entusiasmados com a doçaria conventual que muitos aceitam as invenções recentes de doçaria conventual, sem nunca o terem sido. Têm a cautela de criar um certo receituário que poderá ser considerado dentro da matriz da doçaria conventual, mas não o é. Continuo sempre a perguntar, quando me apresentam um doce conventual que não conheço, qual é o convento. Muitas das vezes fico sem resposta! Neste livro, a Cristina teve o cuidado de apenas referir a origem conventual quando esta está confirmada documentalmente. Mesmo nos pitos de Santa Luzia, que tanta gente ainda chama de conventual, aqui são apresentados como doces associados a uma tradição popular, especialmente depois de um estudo que prova ter sido a sua invenção posterior à extinção das ordens religiosas e desenvolvida como mistério regional e popular.
Agrada-me especialmente a importância dada à doçaria popular, ou de feiras. O interesse de Portugal, desde o séc. XII, pela produção de açúcar está bem evidenciado na nossa história. A sua raridade, apesar de se saber que o açúcar já existiria na Índia há 5 mil anos, foi transformada em sucesso, depois das experimentações e produção do séc. XV, na Madeira e no Brasil. Foi a partir do séc. XVI que nos transformámos em gulosos doceiros e que se desenvolveu um receituário único, com a variedade e requinte que conhecemos.
Até há bem pouco tempo, a actividade doceira estava muito associada a conceitos femininos. Eu próprio não me lembro de alguma vez falar em homens doceiros. Esta tradição deve-se especialmente às instruções régias de finais do séc. XV, reservando às mulheres o trabalho do açúcar. Claro que, naquele tempo, o objectivo era limitar o seu consumo pelo alto preço de custo e por ser um produto de fácil e ambiciosa exportação. As mulheres primavam nos doces. Basta ver os cadernos de receitas de famílias onde ainda encontramos verdadeiros tesouros, infelizmente não divulgados.
A Cristina Castro executou um trabalho invulgar, que só é possível com muita persistência, paciência, rigor, e com verificação das informações. Depois, tem aquele sentido poético natural, uma doçura de atitude perante as doceiras e doceiros deste país, que lhe permitiram fazer um trabalho sério, que encanta as pessoas, que, por isso, lhe fornecem o maior número possível de dados. Claro que ainda há muita gente receosa de partilhar os chamados segredos. Muita gente ainda não percebeu que o verdadeiro segredo está nas mãos e nos gestos.
Este volume é apenas o primeiro de uma obra mais alargada. Depois deste volume, ficamos, todos, ansiosos pela continuação. E eu sei que os seguintes terão a mesma qualidade que este primeiro. Para se entender melhor o sentido rigoroso deste trabalho, e associado a uma visão estética da nossa doçaria, seria imperdoável não referir os excelentes vídeos produzidos, disponíveis em www.noponto.pt.
Parabéns Cristina. Tenho que deixar aqui, também, o registo do encanto por ter partilhado comigo algumas questões que vão surgindo no caminho, por vezes pouco fácil, da descoberta e valorização deste património. Esta obra será sempre fundamental para quem queira conhecer a nossa característica abundantemente doceira, e será imprescindível para um inventário nacional daquilo que é doce.
© Virgílio Nogueiro Gomes
© Ana Gil



© Gonçalo Barriga






312 páginas | capa dura | fita marcadora
ISBN 978-989-99714-0-0
€32.00
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OPINIÃO DO LEITOR · READER’S OPINION
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